UMA NOVA RESOLUÇÃO DE ANO NOVO
Sidney Fernandes
“Ano novo, vida nova.” A frase ecoa a cada virada do calendário, acompanhada de promessas que, muitas vezes, não ultrapassam as primeiras semanas de janeiro. Isso nos leva a uma constatação necessária: não é a mudança do ano que transforma a vida, mas a decisão íntima de mudar. Quando adiamos a renovação para uma data simbólica, estamos transferindo ao futuro uma atitude que deveria nascer no presente. A transformação autêntica não se submete ao calendário. Ela acontece quando a consciência desperta e assume o comando. Por isso, talvez seja mais verdadeiro substituir o velho aforismo por outro mais exigente: não deixar para amanhã o que já pode ser feito hoje.
A postergação costuma revelar que ainda não houve amadurecimento suficiente. Quando a consciência se esclarece de fato, a mudança deixa de ser projeto e se torna ação imediata. A ideia existe antes; a convicção, porém, é que sustenta a transformação.
É claro que momentos de reflexão, como o fim do ano, são valiosos. Avaliar a própria caminhada ajuda a corrigir rumos. Contudo, esse balanço só produz efeitos quando inserido num esforço contínuo de crescimento. Renovar-se não é um evento anual, mas um exercício diário.
Há instantes na trajetória humana em que os valores espirituais se tornam mais claros e imperativos. Essa lucidez não é privilégio concedido a alguns, nem graça seletiva. Resulta do amadurecimento do Espírito ao longo das experiências vividas. Não somos seres passivos à mercê do tempo; somos consciências responsáveis pelo próprio avanço.
Alguns caminham mais depressa, outros permanecem presos a velhos hábitos por mais tempo. Não há condenação nisso, apenas diferentes níveis de esforço. O progresso está ao alcance de todos, na medida da disposição íntima para crescer.
Jesus ensinou que o conhecimento liberta. Não o saber superficial, mas aquele que ilumina a consciência e orienta escolhas. Ainda não alcançamos a verdade plena, mas podemos assimilar parcelas suficientes para não estacionar.
O Espiritismo amplia essa visão ao nos lembrar que a evolução é lei e que resistir a ela implica sofrer os corretivos naturais da vida.
Diante disso, a melhor resolução de Ano Novo talvez seja simples e profunda: decidir fazer do tempo presente um período fértil de crescimento moral e espiritual. Transformar o ano em curso — qualquer que seja — num tempo vivido sob o esforço sincero de alinhar pensamentos, sentimentos e atitudes com o bem. Quando a renovação deixa de ser promessa e se converte em prática cotidiana, o Ano Novo acontece por dentro. E a paz surge, naturalmente, como fruto desse compromisso silencioso com a própria transformação.
Referência
Este artigo foi adaptado de texto de autoria de Richard Simonetti, publicado em 29 de dezembro de 2016, com reformulação de linguagem, estilo e abordagem.








